Ensaios da liberdade humana II - Cap. VI (K.Stumpf)
CAPÍTULO VI
SOBRE O AGNOSTICISMO
16 – Ao tratar do agnosticismo mister se faz relembrar Kant e Hume, os quais afirmavam que a questão da existência ou não de um ser superior não foi e nunca será resolvida. Desta forma, retratam claramente o que é esta corrente. As teorias filosóficas que serviram de base para o agnosticismo foram divulgadas no século XVIII pelos pensadores supramencionados, no entanto, tenho como autor desta corrente filosófica o biólogo inglês Thomas Henry Huxley (1825-1895). Para compreensão do termo “agnóstico”, devemos ter ciência de que não significa “oposto a Deus”, mas sim, “oposto à idéia de que a razão humana possa conhecer tal entidade”. Por isso temos a palavra “agnose”, sendo “a” prefixo de privação/negação + “gnose” do grego <>. Resumindo, temos a falta do conhecimento.
A origem do agnosticismo está em Pirros de Elis (360-270 a.C.), filósofo grego, primeiro a afirmar que o homem não possui capacidade de ter certezas. Foi discípulo de Anaxarco de Abdera e influenciou Timón de Fliunte (320-230 a.C).
Existem muitas divisões dentro da doutrina agnóstica, entretanto, costumo considerar de suma importância duas delas: O agnosticismo teísta e o agnosticismo ateísta. Ambos reconhecem não possuir o conhecimento sobre uma entidade superior, porém o primeiro acredita que ela existe, enquanto o segundo não crê nesta possibilidade. Além do agnosticismo estrito de Kant e Hume, merece destaque o agnosticismo em sentido empírico. Por sua vez, este último traz a idéia de que o conhecimento sobre Deus não é possível até o momento em que surgirem evidências, sendo que no instante em que atingir este grau pode se tornar possibilidade.
Talvez o grande problema que verifico ao analisar a fé, seja o sentido hermenêutico dado pelas pessoas crentes, uma vez que, para elevarem sua fé, têm como praxe rotulá-la como conhecimento, desconsiderando que para isto a crença necessita ser verdadeira e justificada. Com esta elevação da fé as pessoas assumem o risco de alcançarem o fanatismo.
Sob visão agnóstica, faço contestação a Gil quando este afirma que o teísmo possui o ônus da prova, uma vez que para a ciência toda realidade é isenta de apresentar provas. Tenho então que isto não deve ser aplicado como regra, ou como se fosse uma norma jurídica ou fórmula matemática. Tanto aqueles que afirmam a existência de deus quanto aqueles que a negam necessitam de provas. Sendo assim, o problema da existência ou não-existência divina segue sem solução. Carl Sagan expôs assim: “A ausência de evidências não é a evidência de ausência”. Desta forma apostava que as evidências, pelo fato de não terem sido localizadas, não significavam que jamais seriam. Uma visão inclinada para o teísmo, no entanto, de grande valor filosófico. Vejo assim, porque a certeza da inexistência também pode causar o comodismo do homem em relação à busca do saber. Logo, minha inclinação ateísta se deve ao fato de que os indícios existentes até hoje apontaram para a inexistência. O que não faço é afirmar que estou convicto da não-existência. Realmente, é um ateísmo moderado, fraco. Alguns o denominam negativo.
O que tenho por convicção é que a divindade, da forma prevista e moldada pelo homem até o momento, é falsa. Basta analisarmos as incompatibilidades constantes nas escritas ditas sagradas e a falsificação confeccionada com fins de resolver a questão de forma cínica, hipócrita e fraudulenta. Aliás, adiante tratarei deste termo ‘hipocrisia’, defeito comum dos defensores religiosos e em especial dos doutrinadores.
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Onde nos enquadramos?
16:44, 11/2/2008
.. Posted by K.Stumpf
De acordo com as definições filosóficas sobre o Ateísmo agnóstico posso dizer que me encaixo nele e, de acordo com o que tenho acompanhado sobre o pensamento do colega acredito que também se enquadre nesta corrente filosófica, pois, contrariamente ao agnosticismo teísta, um ateísta agnóstico é alguém que assume não ter conhecimento da existência de Deus, e por isso não acredita que ele exista. Levando ainda em conta de que se fossemos indagados sobre a existência de Deus diríamos: "Não acredito que ele exista porque faltam provas, mas também faltam provas para que eu esteja convicto de que ele não exista". Então, nosso conhecimento, a priori, nos inclina ao ateísmo, porém, não somos ateus por força de uma certeza, assim como os que crêem não são teístas por terem convicção de algo. Minha linha de raciocínio me diz, no entanto que, "eles estão mais distantes da verdade, por acreditarem em uma probabilidade que se supõe pequena demais, uma vez que sua base de crença (a bíblia) é cheia de impossibilidades e não convence os sábios".
Para refletir...
13:35, 11/2/2008
.. Posted by K.Stumpf
Esta abertura que o colega faz de que "nada foi provado até o momento" é que chamo de agnóstica-empírica de que "nada existe até agora, mas há possibilidade de ser", enquanto o ceticismo acredita que "nada foi provado e nem será, em razão das próprias evidências citadas pelo colega... Já o agnosticismo estrito de Kant e Hume diz que "isto não é experiência para nós e nunca será"...
Comments
09:10, 11/2/2008
.. Posted by H.Gil
Bom primeiro falando sobre convicção.
Gosto de citar Nietzsche quando afirma Que "a convicção é perigosa do que a mentira para quem procura a verdade" Interessante se faz pensar na hipótese de que o ceticismo é justamente uma posição de questionamento, logo ele é contra a convicção. Mas não vejo-o vinculado de maneira alguma com o agnosticismo-empírico. E apenas fazendo uma pequena correção, a minha concepção sobre ateus, é não crer em deus, deuses, entidades ou qualquer outra manifestação do gênero, afirmando que até o presente momento a certeza é essa, pois cabe perguntar existe alguma certeza imutável? E ainda sobre o comentário do colega K.Stumpf pergunto: Quando afirma que matrix e outros gêneros se tratam de ficção, o que te dá a certeza de que todas história de JC, Alah, Buda, Maomé, D´us não é ficção? Zeus para os gregos e romanos não era ficção? Mas nós sabemos hoje que é. Do mesmo jeito que os deuses mais modernos. Quanto as coisas evidentes que desprezam provas, para mim nada mais evidente do que a não existência de nenhum deus, ou força maior, entretanto milhares de pessoas querem acreditar (e friso querer acreditar, crer) porque não existe evidência alguma.Eu concordo que o ateísta não deve ser livrado do ônus da prova, mas pergunto ele afirmou que há alguma coisa? O que ocorre aqui é a inversão do ônus, do tipo "prove que meus deus não existe" Mas isso é ilógico, impossível, para se provar que algo não existe primeiro se precisa de provas e evidências para sustentar isso, e é nessa parte que todos os religiosos falham, seus argumentos são fracos, e todos sempre desmoronam por fim com última instância apelam para o delírio, dizendo: "Isso é uma questão de fé" Então dizer que cabe ao ateu provar que o deus, ou deuses que falam existir, sem mostrar nenhuma evidência é sem sombra de dúvida ridícula. O ônus que cabe ao ateu é, sempre que for apresentada "evidências" pelos religiosos, é ônus do ateu que contestá-los provar-lhes a inveracidade.
Réplica
13:29, 8/2/2008
.. Posted by K.Stumpf
É interessante frisar as palavras "levam a crer", pois para mim, "levar a crer" não significa ter convicção., logo o ceticismo também não tem convicção, parecendo um agnosticismo empírico que acredita que nada há até que apareça uma prova. Ser ateu, da forma em que o signatário é, significa não crer em deus, não dizer com certeza de que não haja qualquer força superior. Novamente sigo a idéia de Kant, de que isto não é experiência para nosso aparato corpóreo. Quanto a Matrix e outros do gênero, sabemos se tratar de ficção. Algumas coisas são tão evidentes que desprezam provas: Ex.: Coelho da páscoa. Embora uma força superior seja improvável de acordo com os indícios que temos até o instante, é anti-filosófico dizer "eu sei, nada existe". Livrar o ateísmo do ônus da prova é dar margem para que sempre haja o desconhecido, e assim, sempre haverá a fé. Dizer que a não-existência de força(s) superior(es) não necessita ser provada também é uma forma de limitar o homem. Acredito sim, no dia em que a ciência conseguirá explicar muitos dos fenômenos desconhecidos até hoje. Neste dia o homem estará próximo de dizer que é convicto.
Sobre o ônus da prova.
17:09, 7/2/2008
.. Posted by H.Gil
Pois bem, se não imcumbirmos o ônus da prova a quem afirma os fatos abriremos margem para se justificar tudo. Porque não acreditar em Zeus? Alguém provou que ele não existe? Porque não acreditar em Hades alguém provou que ele não existe? Será que o "matrix" não é verdade? Ninguém provou que não pode ser... É por isso que optei por deixar o agnosticismo pelo ateísmo, o agnosticismo parace ser meio "indiferente" como se aceitasse a limitação do ser humano no melhor estilo daquelas frases "isso está acima de nossa compreensão" ou "há mais coisas entre o céu e a terra do que pode julgar nossa vã filososfia". Eu prefiro acreditar em dados mais sérios que tenham base, que estejam solidificados em evidências e provas, e geralmente todos esses fatos levam a crer que nada disso existiu. E de igual forma se a pessoa aceitar essa visão limitada de "nunca poderemos saber" iremos parar sempre na questão da fé, da crença, ou você crê sem provas, ou você exige provar para acreditar.
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