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A verdadeira História da Páscoa (H.Gil) Pois bem, com o feriado de Páscoa já chegando... (amanhã) ficou muito dificil conseguir trazer mais informações sobre esse feriado ( ![]() A verdadeira História da Páscoa
A páscoa judaica (em hebraico פסח, ou seja, passagem) é o nome do sacríficio executado em 14 de Nissan segundo o calendário judaico e que precede a Festa dos Pães Ázimos (Chag haMatzot). Geralmente o nome Pessach é associado a esta festa também, que celebra e recorda a libertação do povo de Israel do Egito, conforme narrado no livro de Êxodo. A festa cristã da Páscoa tem origem na festa judaica, mas tem um significado diferente. Enquanto para o Judaísmo, Pessach representa a libertação do povo de Israel no Egito, no Cristianismo a Páscoa representa a morte e ressurreição de Jesus (que supostamente aconteceu na Pessach) e de que a Páscoa Judaica é considerada prefiguração, pois em ambos os casos se celebra uma “libertação do povo de Deus”, a sua passagem da escravidão (do Egito/do pecado) para a liberdade. De fato, para entender o significado da Páscoa cristã, é necessário voltar para a Idade Média e lembrar dos antigos povos pagãos europeus que, nesta época do ano, homenageavam Ostera, ou Esther – em inglês, Easter quer dizer Páscoa. Ostera (ou Ostara) é a Deusa da Primavera, que segura um ovo em sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em redor de seus pés nus. A deusa e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. Ostara equivale, na mitologia grega, a Persephone. Na mitologia romana, é Ceres. Estes antigos povos pagãos comemoravam a chegada da primavera decorando ovos. O próprio costume de decorá-los para dar de presente na Páscoa surgiu na Inglaterra, no século X, durante o reinado de Eduardo I (900-924), o qual tinha o hábito de banhar ovos em ouro e ofertá-los para os seus amigos e aliados. Por que o ovo de Páscoa? O ovo é um destes símbolos que praticamente explica-se por si mesmo. Ele contém o germe, o fruto da vida, que representa o nascimento, o renascimento, a renovação e a criação cíclica. De um modo simples, podemos dizer que é o símbolo da vida. Os celtas, gregos, egípcios, fenícios, chineses e muitas outras civilizações acreditavam que o mundo havia nascido de um ovo. Na maioria das tradições, este “ovo cósmico” aparece depois de um período de caos. Na Índia, por exemplo, acredita-se que uma gansa de nome Hamsa (um espírito considerado o “Sopro divino”), chocou o ovo cósmico na superfície de águas primordiais e, daí, dividido em duas partes, o ovo deu origem ao Céu e a Terra – simbolicamente é possível ver o Céu como a parte leve do ovo, a clara, e a Terra como outra mais densa, a gema. O mito do ovo cósmico aparece também nas tradições chinesas. Antes do surgimento do mundo, quando tudo ainda era caos, um ovo semelhante ao de galinha se abriu e, de seus elementos pesados, surgiu a Terra (Yin) e, de sua parte leve e pura, nasceu o céu (Yang). Para os celtas, o ovo cósmico é assimilado a um ovo de serpente. Para eles, o ovo contém a representação do Universo: a gema representa o globo terrestre, a clara o firmamento e a atmosfera, a casca equivale à esfera celeste e aos astros. Na tradiçao cristã, o ovo aparece como uma renovação periódica da natureza. Trata-se do mito da criação cíclica. Em muitos países europeus, ainda hoje há a crença de que comer ovos no Domingo de Páscoa traz saúde e sorte durante todo o resto do ano. E mais: um ovo posto na sexta-feira santa afasta as doenças. Por que o Coelho de Páscoa? Coelhos não colocam ovos, isto é fato! A tradição do Coelho da Páscoa foi trazida à América por imigrantes alemães em meados de 1700. O coelhinho visitava as crianças, escondendo os ovos coloridos que elas teriam de encontrar na manhã de Páscoa. Uma outra lenda conta que uma mulher pobre coloriu alguns ovos e os escondeu em um ninho para dá-los a seus filhos como presente de Páscoa. Quando as crianças descobriram o ninho, um grande coelho passou correndo. Espalhou-se então a história de que o coelho é que trouxe os ovos. A mais pura verdade, alguém duvida? No antigo Egito, o coelho simbolizava o nascimento e a nova vida. Alguns povos da Antigüidade o consideravam o símbolo da Lua. É possível que ele se tenha tornado símbolo pascal devido ao fato de a Lua determinar a data da Páscoa. Mas o certo mesmo é que a origem da imagem do coelho na Páscoa está na fertililidade que os coelhos possuem. Geram grandes ninhadas! Assim, os coelhos são vistos como símbolos de renovação e início de uma nova vida. Em união com o mito dos Ovos de Páscoa, o Coelho da Páscoa representa a renovação de uma vida que trará boas novas e novos e melhores dias, segundo as tradições. Outros símbolos da Páscoa O cordeiro é um dos principais símbolos de Jesus Cristo, já que é considerado como tendo sido um sacrifício em favor do seu rebanho. Segundo o Novo Testamento, Jesus Cristo é “sacrificado” durante a Páscoa (judaica, obviamente). Isso pode ser visto como uma profecia de João Batista, no Evangelho segundo João no capítulo 1, versículo 29: “Eis o Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo”. Paulo de Tarso (na primeira epístola a Coríntio no capítulo 5, versículo 7) diz: “Purificai-vos do velho fermento, para que sejais massa nova, porque sois pães ázimos, porquanto Cristo, nossa Páscoa, foi imolado.“ Jesus Cristo, desse modo, é tido pelos cristãos como o Cordeiro de Deus (em latim: Agnus Dei) que supostamente fora imolado para salvação e libertação de todos do pecado. Para isso, Deus teria designado sua morte exatamente no dia da Páscoa judaica para criar o paralelo entre a aliança antiga, no sangue do cordeiro imolado, e a nova aliança, no sangue do próprio Jesus imolado. Assim, a partir daquela data, o Pecado Original tecnicamente deixara de existir. A Cruz também é tida como um símbolo pascal. Ela mistifica todo o significado da Páscoa, na ressurreição e também no sofrimento de Jesus. No Concílio de Nicea em 325 d.C, Constantino decretou a cruz como símbolo oficial do cristianismo. Então, ela não somente é um símbolo da Páscoa, mas o símbolo primordial da fé católica. O pão e o vinho simbolizam a vida eterna, o corpo e o sangue de Jesus, oferecido aos seus discípulos, conforme é dito no capítulo 26 do Evangelho segundo Mateus, nos versículos 26 a 28: “Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados.“ Por que a Páscoa nunca cai no mesmo dia todos os anos? O dia da Páscoa é o primeiro domingo depois da Lua Cheia que ocorre no dia ou depois de 21 março (a data do equinócio). Entretanto, a data da Lua Cheia não é a real, mas a definida nas Tabelas Eclesiásticas. (A igreja, para obter consistência na data da Páscoa decidiu, no Concílio de Nicea em 325 d.C, definir a Páscoa relacionada a uma Lua imaginária - conhecida como a “lua eclesiástica”). A Quarta-Feira de Cinzas ocorre 46 dias antes da Páscoa, e portanto a Terça-Feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa. Esse é o período da quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas. Com esta definição, a data da Páscoa pode ser determinada sem grande conhecimento astronômico. Mas a seqüência de datas varia de ano para ano, sendo no mínimo em 22 de março e no máximo em 24 de abril, transformando a Páscoa numa festa “móvel”. De fato, a seqüência exata de datas da Páscoa repete-se aproximadamente em 5.700.000 anos no nosso calendário Gregoriano. Tabela com as datas da Páscoa até 2020 2000: 23 de Abril (Igrejas Ocidentais); 30 de Abril (Igrejas Orientais) No final das contas, a páscoa é mais um rito de povos antigos, assimilado pela Igreja Cristã de modo a impor sua influência. Substituindo venerações à natureza (como no caso da Lua ou do Equinócio, tipicamente pagãs) por uma outra figura da mitologia, tomando os siginificados do judaísmo, os símbolos celtas e fenícios, remodelando mediante os Evangelhos e dando uma decoração final, criou-se um “ritual colcha de retalhos”. FONTE: http://ceticismo.wordpress.com 60 perguntas que farão de você um Ateu (Por: H.Gil)60 perguntas que farão de você um Ateu
Sobre a Bíblia Sagrada - Ensaios de Robert G. Ingersoll - Parte 05 - O que vale isto tudo? (H.Gil)IV - O QUE VALE ISTO TUDO? Poderia algum estudioso do Cristianismo explicar o Gênesis? Sabemos que não é verdadeiro. Ele se contradiz por si só. Há duas citações da criação, no primeiro e segundo capítulos. Na primeira versão, pássaros e bestas tinham sido criados antes do homem. Na Segunda, o homem foi criado antes das bestas e pássaros. Na primeira, aves foram feitas da água. Na Segunda, aves fora criadas da terra. Na primeira, Adão e Eva foram criados juntos. Na Segunda, Adão foi feito; depois as bestas e pássaros; e então, Eva é criada de uma das costelas de Adão. Essas histórias são muito mais antigas que o Pentateuco. Segundo os persas: Deus criou o mundo em seis dias, um homem chamado Adama, uma mulher chamada Eva, e então descansou. Os etruscos, gregos, egípcios, chineses e hindus tiveram seu Jardim do Éden e a árvore da vida. Então os persas, babilônicos, nubianos, os povos do sul da Índia, todos tinham sua história da tentação do homem e da serpente astuta. Os chineses acreditavam que o mal caiu sobre a terra por desobediência de uma mulher. E até os habitantes do Taiti acreditavam que o primeiro homem fora criado da terra, e a primeira mulher, dos seus ossos. Todas estas histórias são igualmente importantes para o mundo, e todos os deuses, igualmente inspirados. Sabemos também que a história do dilúvio é muito mais antiga que o livro do Gênesis e sabemos além disso que ela não é verdadeira. Sabemos que esta história do Gênesis fora copiada dos caldeus. Aí encontra-se tudo sobre a chuva, a arca, os animais, a pomba que fora enviada três vezes, e a montanha na qual a arca descansou. Então os chineses, persas, hindus, gregos, mexicanos e escandinavos tinham substancialmente a mesma história. Sabemos hoje que a conto da Torre de Babel não passa de uma fábula infantil e ignorante. O que restaria então deste inspirado livro do Gêneses? Há uma palavra sequer para desenvolver a mente e o coração? Há qualquer pensamento elevado -- qualquer grande princípio -- alguma coisa de poético -- qualquer palavra que se abra num florescer? Há algo além de tristes relatos detalhados de fatos que jamais aconteceram? Há alguma coisa no Êxodo calculado para tornar o homem mais nobre, generoso e gentil? Seria bom ensinar as crianças que Deus torturou o gado inocente dos egípcios -- levou-os à morte por pedradas -- para pagar os erros do faraó? Tornaria-nos mais piedosos a crença de que Deus matou os primogênitos dos egípcios -- os primogênitos de um povo pobre e sofrido -- das pobres meninas trabalhando nos moinhos -- por causa da maldade de um rei? Podemos crer que os deuses dos egípcios operavam milagres? Poderiam eles transformar água em sangue e bastões em serpentes? No Êxodo não há uma só linha que seja de valor ou pensamento original. Sabemos, se é que sabemos algo, que este livro foi escrito por selvagens -- selvagens que acreditavam em escravidão, poligamia e guerras de extermínio. Sabemos que a história contada é impossível, e que os fatos não aconteceram. Este livro admite que há outros deuses além de Jeová. No 17º capítulo há este verso: "Agora sabemos que Nosso Senhor é maior que todos os deuses, pois, nas coisas em que atuou orgulhosamente ele estava acima de todos eles." Então, neste livro abençoado, ensina-se a obrigação do sacrifício humano -- o sacrifício de bebês. No 22º capítulo há este comando: "Não demorarás a oferecer as primeiras das tuas frutas maduras e seus sucos: o primogênito dos teus filhos será dado a mim." Seria o Êxodo um auxílio ou um obstáculo para a espécie humana? Tire do Êxodo as leis comuns a todas as nações e, será que restou alguma coisa de valor? Haverá algo de importância no Levítico? Há algum capítulo que valha a pena ler? Que interesse há para nós as vestes dos padres, as cortinas e castiçais do Tabernáculo, as pinças e pás do altar, e o óleo usados pelos levitas? Para que serve o código cruel, a punição assustadora, as maldições, as falsidades e os milagres deste livro ignorante e infame? E o que há no livro dos Números -- com seus sacrifícios, e água de ciúmes, sua flores e fina farinha, seus óleos e candelabros, suas cebolas e manás -- para instruir a humanidade? Que interesse teríamos nós na rebelião do corá, a água da separação, as cinzas da novilha vermelha, a serpente em brasa, a água que sobe e desce montanha, seguindo o povo durante quarenta anos, do jumento inspirado do profeta Balaam? Teriam esses absurdos e crueldades -- esta superstição selvagem e infantil -- ajudado a civilizar a humanidade? Há alguma coisa em Josué -- com suas guerras, assassinatos e massacres, com suas espadas pingando com o sangue de mulheres e crianças, com suas mutilações, suas fraudes e sua fúria, seu ódio e vingança -- contribuído para melhorar o mundo? Não chocará cada capítulo, o coração de um homem bom? Será este um bom livro para crianças lerem? O livro de Josué é tão impiedoso como a fome, tão feroz como o coração de uma besta selvagem. É uma história, uma justificação, uma santificação para todo o tempo. O livro dos Juizes é sobre o mesmo assunto, nada mais que guerra e derramamento de sangue; a história horrível de Jael e Sisera; de Gideão e seus trombetas e cântaros; de Jefta e suas filhas, que ele matou para agradar a Jeová. Aqui encontramos a história de Sansão, no qual um deus-sol é transformado em gigante. Leia este livro de Josué -- leia sobre o trucidamento de mulheres, viúvas, mães e bebês -- leia seus milagres impossíveis, seus crimes sem compaixão e todos praticados de acordo com as ordens de Jeová, e diga se este livro foi feito para nos fazer piedosos, generosos e ternos. Admito que a história de Rute é, sob alguns aspectos, uma história bela e tocante; que é contada com naturalidade, e que seu amor por Naomi era profundo e puro. Mas em matéria de namoro, dificilmente aconselharíamos nossas filhas a seguir o exemplo de Rute. Lembramos ainda que Rute era uma viúva. Há algo que valha a pena ser lido no primeiro e segundo livros de Samuel? Seria possível a um profeta de Deus despedaçar um rei cativo? Seria a história da arca, sua captura e recuperação, de importância para nós? Seria justo e misericordioso matar cinqüenta mil homens apenas por terem olhado para uma caixa? Para que nos interessam as guerras de Saul e Davi, a história de Golias e a feiticeira de Endora? Por que Jeová teria assassinado Uzzah por ter colocado sua mão para segurar a arca? E perdoado David por ter assassinado Urias e roubado sua esposa? De acordo com "Samuel", Davi fez um censo do povo. Isto gerou a ira de Jeová, e como punição ele permitiu que Davi escolhesse entre sete anos de fome, uma viagem de três meses perseguindo inimigos ou três dias de pestes. Davi, tendo confiança em Deus, escolheu três dias de pestes; e então, Deus, o piedoso, para vingar os erros de Davi, matou setenta mil homens inocentes. Diante das mesmas circunstâncias, o que o diabo teria feito? Há alguma coisa entre o primeiro e segundo livros dos reis que sugira a idéia de inspiração? Quando Davi está morrendo ele diz a seu filho Salomão para matar Joab -- que não deixasse sua cabeça suja ir para o túmulo em paz. Com seu último suspiro, ele mandou seu filho trazer a cabeça de Shimei para o túmulo com sangue. Tendo expressado essas palavras ternas, o bom Davi, o homem do coração de Deus, foi dormir com seus pais. Que necessidade teriam homens inspirados de contar a história da construção do templo, a história da visita da rainha de Sabá, ou contar o número das viúvas de Salomão? Que temos a ver com a atrofia da mão de Jeroboão, a profecia de Jehu, a história de Elias e o corvo? Podemos acreditar que Elias trouxe faíscas do céu, ou que ele viajou para o paraíso numa carruagem de fogo? Podemos crer na multiplicação do óleo da viúva por Elisha, que um exército foi atacado por cegueira, ou que um machado flutuou na água? Tornaria-nos mais civilizados ler sobre a decapitação dos setenta filhos de Ahab, o arrancamento dos olhos de Zedequias e o assassinato de seus filhos? Há qualquer palavra nesse livro destinada a tornar o homem melhor? A primeira e Segunda crônicas é a repetição do que foi dito no primeiro e segundo dos reis. As mesmas velhas histórias -- um pouco acrescentado, um pouco resumido, mas nada de melhor ou pior. O livro de Ezra é de nenhuma importância. Conta-nos que Ciro, o rei da Pérsia, proclamou a construção de um templo em Jerusalém e declarou ser Jeová o real e único Deus. Nada podia ser mais absurdo. Ezra nos conta sobre o retorno do cativeiro, a construção do templo, a dedicação, umas poucas orações, e isto é tudo. Este livro não tem qualquer importância. Nenhuma utilidade. Nehemias é o mesmo. Conta a história da construção da muralha, as queixas do povo com os impostos, a lista daqueles que voltaram da Babilônia, um catálogo daqueles que moravam em Jerusalém, e a dedicação às muralhas. Nenhuma palavra de Nehemias vale a pena ser lida. Então vem o livro de Ester; nele é dito a nós que o rei Assuero fora intoxicado; que ele mandara que a sua esposa Vasti, apresentá-la a ele e seus hóspedes. Vasti recusou-se a aparecer. Isto enfureceu o rei, e ele ordenou que de cada província fosse trazida a mais bela moça para ele para que ele escolhesse uma para o lugar de Vasti. Entre algumas, foi trazida Ester, uma judia. Ela foi escolhida e se tornou a esposa do rei. Então, um cavalheiro de nome Haman quis que todos os judeus fossem mortos, e o rei, desconhecendo que Ester fosse dessa raça, assinou um decreto para que os judeus fossem mortos. Através da interferência de Mordecai e Ester, o decreto foi anulado e os judeus foram salvos. Haman preparou uma forca para que Mordecai fosse enforcado, mas a boa Ester agiu para que Haman e seus dez filhos fossem enforcados na forca que Haman tinha construído, e os judeus foram autorizados a assassinar mais de setenta e cinco mil súditos do rei. Esta é a história inspirada de Ester. No livro de Jó nos encontramos alguns sentimentos elevados, alguns sentimentos sublimes e tolos, algumas das maravilhas e belezas da natureza, as alegrias e tristezas da vida; mas a história é infame. Alguns dos Salmos são bons, muitos são indiferentes, uns poucos são infames. No meio deles há uma mistura de vícios e virtudes. Há versos que elevam e versos que degradam. Há orações de perdão e de vinganças. Na literatura humana nada há de mais cruel e infame que o 109o salmo. Nos Provérbios há muita sagacidade, muita piedade, e máximas prudentes, muitos ditados sábios. As mesmas idéias são expressas de diferentes formas -- a sabedoria da economia e do silêncio, o perigo da vaidade e da preguiça. Alguns são triviais, outros tolos, e muitos sábios. Esses provérbios não são generosos -- nem altruístas. Provérbios do mesmo tipo são conhecidos em todas as nações. Eclesiastes é o mais profundo dos livros da Bíblia. Foi escrito por um não crente -- um filósofo -- um agnóstico. Tire os trechos acrescentados e ele fica semelhante aos pensamentos do século dezenove. Neste livro estão as passagens mais poéticas e filosóficas da Bíblia. Após atravessar um deserto de crimes e morte, depois de ler o Pentateuco, Josué, Juízos, Samuel, Reis e Crônicas -- é deleitoso atingir este bosque de poesia chamado "Os filhos de Salomão". Um drama de amor -- de amor humano; um poema sem Jeová -- um poema nascido do coração e verdadeiro para os instintos divinos da alma. "Eu durmo, mas minha alma está desperta." Isaías é o trabalho de muitos. Seu palavrório, seu imaginário vago, suas profecias e maldições, seus bramidos contra reis e nações, suas gargalhadas da sabedoria humana, seu ódio à alegria, nada tem que melhore o bem estar do homem. Neste livro relatam-se os mais absurdos dos milagres. A sombra do relógio desceu dez graus para informar a Ezequias que Jeová havia adicionado quinze anos à sua vida. Neste milagre, o mundo, girando do leste para o oeste na velocidade de mais de mil milhas por hora, é não só parado, mas ele gira na direção contrária de modo que a sombra do relógio de sol retorna dez graus! Há neste mundo algum homem, ou uma mulher inteligente que acredite nesta falsidade absurda? Jeremias não contém nada de importância -- nenhum fato de valor; nada além de falsidades, lamentações, grasnados, gemidos, maldições e promessas; nada além de fome de oração, prosperidade dos maus, a ruína dos judeus, do cativeiro e retorno, e enfim, Jeremias, o traidor no tronco e na prisão. E Lamentações é simplesmente a continuação dos delírios do mesmo pessimismo insano; nada além de pó e trapos e cinzas, lágrimas e gemidos, delírios e ofensas. E Ezequiel -- o manuscrito carcomido, profetizando vitórias e derrotas, com visões de carvão em brasa, e querubins, e rodas com olhos, e a figura do caldeirão fervendo, a ressurreição de ossos secos -- é de nenhum valor. Como Voltaire, digo que qualquer um que admire Ezequias deveria ser compelido a jantar com ele. Daniel é um sonho distorcido -- um pesadelo. O que pode ser feito deste livro, com cabeças de ouro, com peito e braços de prata, com barriga e coxas de brasa, com pernas de aço, com pés de aço e argila; com suas inscrições nos muros, seus covis de leões, com sua visão de cordeiro e bode? Há algo que possa ser aprendido de Oséas e sua esposa? Há alguma utilidade em Joel, Amós e Abadia? Podemos ter algum benefício em Jonas e sua cabaça? É possível que Deus seja o verdadeiro autor de Mica e Naum, de Habakkuk e Zefanias, de Hagai e Malaquias, e Zacarias, com seus cavalos vermelhos, seus quatro chifres, seus quatro carpinteiros, suas rodas voadoras, suas montanhas de brasa, e a pedra com quatro olhos? Há qualquer coisa neste livro que seja de algum benefício para o homem? Teria ele ensinado a nós a cultivar o mundo, construir casas, tecer roupas, preparar alimento? Teria ele ensinado a nós pintar quadros, fazer esculturas, construir pontes, navios, ou qualquer coisa de bonito e útil? Conseguimos nossas idéias de governo, de liberdade de idéias, liberdade de pensamento, do Velho Testamento? Conseguimos tirar de qualquer destes livro um fiapo que seja de ciência? Haveria nestes "Livros Sagrados" uma linha, uma palavra que melhorasse a saúde, a inteligência e a felicidade da Humanidade? Há alguma uma coisa no Velho Testamento tão prazeroso de ler como "Robinson Crusoe", "As viagens de Gulliver", "Peter Willkins e sua esposa voadora"? Saberia o autor do Gênesis mais sobre a natureza que Humboldt, ou Darwin, ou Haeckel? O que é conhecido como o Código Mosaico seria tão sábio e piedoso como o código de nações civilizadas? Eram os escritores das Crônicas e Reis tão bons historiadores, tão bons escritores como Gibbon ou Drapper? Pode-se comparar Jeremias e Habakkuk a Dickens ou Thackeray? Podem ser os autores dos salmos e Jó ser comparados a Shakespeare? Por que deveríamos atribuir o melhor ao homem e o pior a Deus? Sobre a Bíblia Sagrada - Ensaios de Robert G. Ingersoll - Parte 04 - Os Dez Mandamentos (H.Gil)III - OS DEZ MANDAMENTOS. Alguns advogados cristãos -- alguns juizes estúpidos e eminentes -- têm dito e ainda dizem, que os dez mandamentos são a fundação de toda a lei. Nada poderia ser mais absurdo. Muito antes desses códigos serem ditos, houvera códigos de leis na Índia e Egito -- leis contra assassinato, perjúrio, furto, adultério e fraude. Essas leis são tão antigas quanto a sociedade humana; tão antigas como o amor à vida; tão antigas quanto a indústria; quanto à idéia de prosperidade; antigas como o amor humano. Todos os mandamentos que eram bons eram antigos; todos os que eram novos, eram tolos. Se Jeová fosse civilizado, deixaria de fora o mandamento sobre guardar os sábados e em seu lugar colocaria: "Não escravizarás teu semelhante". Ele omitiria aquele que fala de juramento e colocaria: "O homem terá apenas uma mulher, e a mulher, apenas um homem". Deixaria de lado aquele sobre imagens esculpidas e colocaria: "Não provocarás guerras de extermínio e só desembainharás tua espada em legítima defesa". Se Jeová fosse civilizado, como seriam melhor aqueles mandamentos. Tudo o que chamamos de progresso -- a emancipação do homem, o trabalho, a substituição da pena do encarceramento pela pena de morte, o fim da poligamia, o estabelecimento da liberdade de expressão, os direitos de consciência; em suma, tudo o que tende à civilização do homem; todos os resultados da investigação, observação, experiência e livre pensamento; tudo o que se conseguiu em benefício do homem desde o fim da idade das trevas -- tem sido feito apesar do Velho Testamento. Deixe-me agora exemplificar a moralidade, a misericórdia, a filosofia e a bondade do Velho Testamento. A HISTÓRIA DE ACAM Josué tomou a cidade de Jericó. Depois da queda da cidade ele declarou que todo o espólio seria dado a Jeová. Apesar da ordem, Acam escondeu em suas vestes prata e ouro. Depois Josué tentou tomar a cidade de Ai. Ele falhou e muitos de seus soldados foram mortos. Josué procurou as causas da derrota e descobriu o tesouro oculto nas roupas de Acam, duzentos pesos de prata e uma cunha de ouro. Então Acam confessou. Então Josué aprisionou os filhos e as filhas de Acam, seu gado e ovelhas e os apedrejou até a morte e enterrou seus corpos. Nada indica que os filhos e filhas cometeram qualquer crime. Certamente as ovelhas e gado não mereciam ser trucidados para pagar os crimes de seu dono. Esta é a justiça e a piedade de Jeová! Após cometer esses crimes, com a ajuda de Jeová, ele capturou a cidade de Ai. A HISTÓRIA DE ELIAS "E ele veio para Bethel, e quando ele andava pelo caminho, saíram pequenas crianças da cidade e zombaram dele e disseram-lhe: 'levanta, calvo'. E ele se virou, olhou para eles, e os amaldiçoou em nome do Senhor. E então, duas ursas vieram da mata e devoraram quarenta e duas das crianças". Esta era a atuação do bom Deus -- o piedoso Jeová! A HISTÓRIA DE DANIEL O rei Dario honrou e exaltou Daniel e os príncipes nativos tiveram ciúmes. Então eles induziram o rei a assinar um decreto para efeito de que, qualquer homem que fizesse qualquer petição a qualquer deus ou homem, com exceção do rei Dario, por trinta dias, seria atirado ao covil dos leões. Depois esses homens descobriram que Daniel, com sua face voltada para Jerusalém, rezava três vezes ao dia para Jeová. Então Daniel foi atirado ao covil dos leões; uma pedra foi colocada na entrada do covil e selada com o selo real. O rei dormiu mal. Na manhã seguinte ele foi ao covil e chamou Daniel. Daniel respondeu e disse ao rei que Deus mandara seus anjos e fechara as bocas dos leões. Daniel foi liberado vivo e o rei se converteu ao Deus de Daniel. Dario, que acreditava num Deus verdadeiro, mandou os homens que acusaram Daniel, junto com suas esposas e filhos para o covil dos leões. "E os leões os dominaram e quebraram todos os seus ossos em pedaços e os reuniram no fundo do fosso." O que fizeram as viúvas e crianças? Como ofenderam o rei Dario, que acreditava em Jeová? Quem protegeu Daniel? Jeová! Quem deixou de proteger as inocentes viúvas e crianças? Jeová! A HISTÓRIA DE JOSÉ O faraó teve um sonho que foi interpretado por José. De acordo com essa interpretação, deveriam ocorrer sete anos de fartura, seguidos de sete anos de fome. José avisou o faraó para comprar todo o excedente de sete anos de fartura e armazenar tudo para os anos de fome. O faraó nomeou José como Ministro ou agente e ordenou que adquirisse o excesso de produção daqueles anos de fartura. Então veio a fome. O povo recorreu ao faraó em busca de ajuda. O faraó recomendou que procurassem José e fizessem o que ele mandasse. José vendeu milho para os egípcios até que seu dinheiro acabasse -- até que ele ficasse com tudo. Então o povo disse: "Dê-nos milho e nós pagaremos com gado." José então lhes deu milho até que todo o seu gado, cavalos e carneiros fossem dados a ele. Então o povo disse: "Dê-nos milho e nós lhe daremos nossas terras." José então deu milho até que toda a terra havia sido dada. Mas a fome continuava e o povo lhes deu seus próprios corpos e se tornaram servos do faraó. Então José deu a eles sementes e fez um acordo com eles para que dessem para sempre um quinto do que produzissem para o faraó. Quem habilitou José a interpretar o sonho do faraó? Jeová! Ele sabia de antemão que José usaria sua informação para extorquir e escravizar o povo do Egito? Sim. Quem produziu a fome? Jeová! É perfeitamente subentendido que os judeus não consideravam Jeová o mesmo Deus dos egípcios -- o Deus de todo o mundo. Este era seu Deus, e seu somente. Outras nações possuíam deuses, mas este era o maior de todos. Ele odiava outras nações e deuses e abominava todas as religiões, com exceção da adoração dele mesmo. Sobre a Bíblia Sagrada - Ensaios de Robert G. Ingersoll - Parte 03 - Será O Velho Testamento Inspirado? (H.Gil)II - SERÁ O VELHO TESTAMENTO INSPIRADO? Para ser, deveria ser um livro que nenhum homem -- ou grupo de homens-- poderia produzir. Deveria conter a perfeição da Filosofia. Deveria estar de acordo com todo fato da natureza. Não deveria conter nenhum erro em Astronomia, Geologia ou qualquer assunto da Ciência. Sua moralidade deveria ser a mais alta e pura. Suas leis e regras para a conduta deveriam ser as mais justas, sábias, perfeitas, e perfeitamente adaptadas aos fins desejados. Não deveria conter nada que faça o homem cruel, vingativo ou infame. Deveria ser cheio de justiça, pureza, honestidade, piedade e espírito de liberdade. Deveria ser avessa à opressão e à guerra, à escravidão e avidez, ignorância, credulidade e superstição. Deveria desenvolver a mente e civilizar o homem. Deveria satisfazer o cérebro e o coração dos mais sábios e inteligentes. E deveria ser verdadeira. Será que o Velho Testamento satisfaz estes parâmetros? Há algo no Velho Testamento -- em História, teoria, lei, moralidade, ciência -- acima e além das idéias, crenças, costumes e preconceitos existentes naqueles povos entre os quais os autores viveram? Há qualquer raio de luz de qualquer fonte sobrenatural? Os antigos hebreus acreditavam que a Terra era o centro do Universo, e que o sol, lua e estrelas eram manchas no céu. Com isto a Bíblia concorda. Pensavam que a terra era plana, com quatro cantos; que o céu, o firmamento, era sólido -- o piso da casa de Jeová. A Bíblia ensina o mesmo. Imaginavam que o sol girava em torno da Terra e que, parando o sol, o dia se prolongaria. A Bíblia concorda com isto. Acreditavam que Adão e Eva seriam o primeiro homem e mulher; que eles haviam ido criados alguns anos antes e que eles, os hebreus, eram seus descendentes. Isto a Bíblia ensina. Se alguma coisa é ou pode ser certa, os escritores da Bíblia estavam enganados sobre a criação, Astronomia, Geologia; sobre as causas de fenômenos, a origem do mal e as causas da morte. Agora deve-se admitir que se foi um Ser Infinito o autor da Bíblia, ele deveria saber todos os fatos, todas as ciências e não cometeria qualquer erro. Se no entanto, há erros, desvios, falsas teorias, mitos ignorantes e asneiras na Bíblia, ela só pode ter sido escrita por seres finitos; ou seja, por pessoas ignorantes e equivocadas. Nada pode ser mais claro que isto. Por séculos a Igreja sustentou que a Bíblia era absolutamente certa; que não continha nenhum erro; que a história da criação era verdadeira; que sua Astronomia e Geologia estavam de acordo com os fatos; que os cientistas que discordassem do Velho Testamento eram infiéis e ateus. Hoje as coisas mudaram. Cristãos educados admitem que os escritores da Bíblia não eram tão inspirados como a ciência. Eles agora dizem que Deus, ou Jeová não inspirou os escritores desse livro com o propósito de ensinar o mundo sobre Astronomia, Geologia ou qualquer outra Ciência. Eles agora admitem que os homens inspirados que escreveram o Velho Testamento não sabiam coisa alguma de ciência, e que eles escreveram sobre a terra, as estrelas, o sol e a lua de acordo com a ignorância da época. Foram precisos muitos séculos para forçar os Teólogos a admitir isto. Relutantemente, cheios de malícia e ódio, os pregadores se retiraram de campo, deixando a vitória com a ciência. Então eles assumiram outra tática; Eles passaram a afirmar que os autores da Bíblia eram inspirados em questões espirituais e morais; que Jeová queria informar seus filhos seus desígnios e seu infinito amor; que Jeová, vendo seu povo mau, ignorante e depravado, queria fazê-lo piedoso, justo, sábio e espiritual, e que a Bíblia é inspirada em leis, na religião que ela ensina e em suas idéias de governo. Essa é a situação atual. Estaria a Bíblia mais próxima a seus ideais de justiça, piedade, moralidade ou religião que suas concepções de ciência? ou sua moral? Ela apoiou a escravidão -- sancionou a poligamia. Poderia o diabo fazer pior? É ela piedosa? Na guerra, ela estendia a bandeira negra; comandava a destruição, o massacre de tudo -- do idoso, do doente e desesperançado -- de esposas e bebês. Eram suas leis inspiradas? Centenas de ofensas eram punidas com a morte. Pegar em ferramentas de trabalho nos domingo, assassinar seu pai na Segunda, eram crimes iguais. Não há na literatura código de leis mais sangrento. As leis da vingança -- retaliação -- eram as leis de Jeová. Um olho por um olho, um dente por um dente, um membro por um membro. Isto é selvageria -- não Filosofia. Seria justa e racional? A Bíblia é o oposto de tolerância religiosa -- de liberdade religiosa. Quem discordasse da maioria era apedrejado até a morte. Investigação era um crime. Maridos eram ordenados a denunciar e ajudar na matança de esposas não crentes. É inimiga da arte. "Não farás imagem esculpida". Isto é a morte da arte. Palestina jamais produziu um pintor ou escultor. Será a Bíblia civilizada? Ela apoia a mentira, roubo, furto, assassinato, venda de carne estragada a estrangeiros, e até o sacrifício de seres humanos a Jeová. Será ela filosófica? Ensina que pecados de uma pessoa sejam transferidos a um animal -- um bode. Faz da maternidade uma ofensa para a qual a oferta de um pecado teve de ser feito. Era mau parir um menino, e duas vezes mau parir uma menina. Fabricar o óleo que era usado pelos padres era uma ofensa punida com a morte. O sangue de um pássaro morto em água corrente era tido como medicinal. Mancharia um Deus civilizado seu altar com o sangue de ovelhas, cordeiros e cabritos? Transformaria seus padres em carniceiros? Sentiria prazer em sentir cheiro de carne queimando? { Last Page } { Page 1 of 2 } { Next Page } |
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